Filosofia 11º Ano | Análise Crítica dos Argumentos a Favor da Existência de Deus

Exame Nacional de Filosofia 11º Ano (2015). Avalia a possibilidade de provar a existência de Deus, analisando criticamente os argumentos ontológico, cosmológico ou teleológico.

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Informações do Exame

Ano Escolar: 11º Ano

Disciplina: Filosofia (714)

Ano: 2015

Fase: 1.ª Fase

Pergunta nº: 5.1.B

Exame: Abrir PDF

Critérios de Classificação: Abrir PDF

Pergunta (5.1.B)
GRUPO V - PERCURSO B – A experiência religiosa.
Muitas pessoas – filósofos, teólogos e cientistas – afirmam que temos bons argumentos a favor da existência de Deus:
uns defendem que a própria ideia de Deus implica a sua existência; outros sustentam que tem de haver uma causa para o Universo e que essa causa só pode ser Deus; outros, ainda, alegam que a ordem que encontramos na natureza não pode ser fruto do acaso e que Deus é a melhor explicação para essa ordem; e há quem considere outros argumentos.
Será que a existência de Deus pode ser provada? Na sua resposta, considere o argumento (ou prova) que estudou a favor da existência de Deus e:
identifique, referindo o seu nome, esse argumento (ou prova) a favor da existência de Deus; apresente inequivocamente a sua posição; argumente a favor da sua posição.
Critério de Classificação
GRUPO V PERCURSO B – A experiência religiosa
NíveisDescritores do nível de desempenho no domínio específico da disciplinaNíveis*Pontuação
123
5Identifica um argumento a favor da existência de Deus, referindo o seu nome ou caracterizando-o adequadamente. Apresenta inequivocamente uma posição de concordância, total ou parcial, ou de discordância, total ou parcial, relativamente à possibilidade de a existência de Deus ser provada. Justifica adequadamente a posição defendida, articulando, com clareza e correção, razões que apoiam a posição defendida ou objeções à posição contrária. Estrutura adequadamente os conteúdos relevantes.27293030
4NÍVEL INTERCALAR Não identifica um argumento a favor da existência de Deus, ou identifica-o incorretamente.21232424
3Apresenta uma posição de concordância, total ou parcial, ou de discordância, total ou parcial, relativamente à possibilidade de a existência de Deus ser provada. Justifica a posição defendida, referindo, de forma globalmente correta, razões que apoiam a posição defendida ou objeções à posição contrária. Apresenta a resposta com falhas na seleção e na estruturação dos conteúdos relevantes.15171818
2NÍVEL INTERCALAR Identifica um argumento a favor da existência de Deus, referindo o seu nome ou caracterizando-o adequadamente, mas não apresenta uma posição, ou apresenta uma posição injustificada. OU Não identifica um argumento a favor da existência de Deus, ou identifica-o incorretamente.9111212
1Apresenta uma posição de concordância, total ou parcial, ou de discordância, total ou parcial, relativamente à possibilidade de a existência de Deus ser provada. Justifica de modo incipiente a posição defendida, referindo, com imprecisões, uma razão que apoia a posição defendida ou uma objeção à posição contrária. Apresenta conteúdos irrelevantes e incorretos, que não contradizem os conteúdos corretos e relevantes apresentados.3566
Descritores apresentados nos Critérios Gerais de Classificação. Cenário de resposta: A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Identificação do argumento: – argumento ontológico (ou da perfeição) OU argumento cosmológico (ou da causa primeira) OU argumento do desígnio (ou teleológico). Apresentação inequívoca de uma posição de concordância, total ou parcial, ou de discordância, total ou parcial, relativamente à possibilidade de provar a existência de Deus. Justificação da posição defendida: – No caso de o examinando, apoiando-se no argumento ontológico, concordar com a possibilidade de a existência de Deus ser provada: • podemos conceber o maior ser possível (o ser mais perfeito); • o maior ser possível (o ser mais perfeito) não seria o maior (o mais perfeito) se existisse apenas no pensamento, pois qualquer ser que existisse no pensamento e também na realidade teria algo de que o maior ser (o mais perfeito) careceria, o que seria contraditório; • logo, o maior ser possível (o ser mais perfeito) – que é Deus - tem de existir na realidade e não apenas no pensamento. – No caso de o examinando, apoiando-se no argumento cosmológico, concordar com a possibilidade de a existência de Deus ser provada: • qualquer acontecimento no mundo é causado por algo e nada é causa de si mesmo; • se a ordem causal regredisse infinitamente, então não existiria uma causa primeira; • mas, se não existisse uma causa primeira, também não existiriam as causas subsequentes; porém, essas causas existem; • logo, tem de existir uma causa primeira que não faz parte do mundo (que é transcendente) e que é a fonte de todas as causas essa causa não causada (e transcendente) só pode ser Deus. – No caso de o examinando, apoiando-se no argumento do desígnio, concordar com a possibilidade de a existência de Deus ser provada: • os relógios têm características complexas - consistem em partes (cada uma com uma função) que funcionam em conjunto, com um propósito específico; • nada do que conhecemos e que exibe estas características é fruto do acaso, tendo sido sempre intencionalmente concebido por algum autor inteligente; • a natureza é, como os relógios, constituída por partes que funcionam em conjunto, mas de uma forma ainda mais complexa; • logo, a natureza não é fruto do acaso e teve também de ser intencionalmente concebida por um autor; esse autor superiormente inteligente é Deus. – No caso de o examinando, apoiando-se em críticas ao argumento ontológico, discordar da possibilidade de a existência de Deus ser provada: • tal como da ideia de uma ilha perfeita não se segue que essa ilha tenha de existir, também da ideia de Deus como um ser perfeito não se segue que ele tenha de existir; • é ilegítimo pretender provar questões de facto por meio de argumentos a priori, pois o que concebemos como existente pode também ser concebido como não existente, sem que isso implique contradição; • o argumento é circular, porque a definição de Deus contém implicitamente, desde o início, o pressuposto de que ele existe necessariamente. – No caso de o examinando, apoiando-se em críticas ao argumento cosmológico, discordar da possibilidade de a existência de Deus ser provada: • tal como pode haver uma longa cadeia finita de causas que, para subsistir, precisaria de uma primeira causa, também pode haver uma cadeia infinita de causas que, para subsistir, não requer uma primeira causa; • o Universo, e não Deus, poderia ser a exceção ao princípio de que tudo tem uma causa, existindo simplesmente e, portanto, não exigindo uma explicação adicional para a sua existência; • (o argumento incorre na falácia da composição, na medida em que) não é porque cada acontecimento tem uma causa que toda a cadeia de acontecimentos tem igualmente uma causa, ou seja, da premissa de que todos os acontecimentos têm uma causa não se segue que há uma causa para toda a cadeia de acontecimentos. – No caso de o examinando, apoiando-se em críticas ao argumento do desígnio, discordar da possibilidade de a existência de Deus ser provada: • a analogia entre os relógios e o Universo é fraca, pois aprendemos aquilo que sabemos sobre a origem dos relógios observando muitos relógios e também a sua produção pelos relojoeiros; em contrapartida, nunca observamos diferentes universos, visto haver apenas um, nem observamos a sua produção; • a ordem do Universo pode ter surgido por um longo processo de adaptação e de seleção natural; • o argumento não prova a existência de um ser perfeito, mas, no melhor dos casos, de um ser imensamente poderoso, imensamente inteligente, livre e racional. Nota – O examinando pode, igualmente, justificar a sua posição com base no problema do mal.
Matéria Associada
Experiência religiosa; Existência de Deus; Argumento ontológico; Argumento cosmológico; Argumento do desígnio; Provas da existência de Deus
Resumo Pedagógico
Exercício de exame para treinar a identificação e a crítica dos argumentos clássicos (Ontológico, Cosmológico, Teleológico) sobre a possibilidade de provar a existência de Deus.

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