Filosofia 11.º Ano (2020): Existência de Deus - Argumentos e Posição

Análise da questão filosófica sobre a existência de Deus. Clarificação do problema, defesa de uma posição pessoal e argumentos (Cosmológico, Teleológico, Ontológico, Apostador).

existência de Deusproblema filosóficoteísmoargumento cosmológicoargumento teleológicoargumento ontológicoargumento do apostadorFilosofia11.º anoexames nacionais 2020
Informações do Exame

Ano Escolar: 11º Ano

Disciplina: Filosofia (714)

Ano: 2020

Fase: 1.ª Fase

Pergunta nº: 18

Exame: Abrir PDF

Critérios de Classificação: Abrir PDF

Pergunta (18)
Haverá boas razões para acreditar que Deus existe? Na sua resposta, deve:
clarificar o problema filosófico inerente à questão formulada; apresentar inequivocamente a sua posição; argumentar a favor da sua posição.
Critério de Classificação
A resposta integra os aspetos seguintes ou outros igualmente relevantes. Clarificação do problema: – o problema consiste em saber se há provas que justifiquem acreditar que Deus existe (OU que Deus não existe); – de acordo com o conceito teísta de Deus, os atributos de Deus são, entre outros, a suma bondade, a omnipotência e a omnisciência; – ora, algum do nosso conhecimento do mundo parece não ser consistente com a crença na existência de um tal Deus (por exemplo, a existência do mal, seja natural ou moral, parece ser inconsistente com a ideia de um mundo governado por um Deus sumamente bom, omnipotente e omnisciente / a convicção de que o universo é governado por leis físicas parece ser incompatível com a crença num Deus omnipotente). Apresentação inequívoca da posição defendida. Justificação da posição defendida: No caso de o aluno considerar que há boas razões para acreditar que Deus existe: – supondo que uma ordem de causas (eficientes), na qual todos os acontecimentos têm uma causa, regride infinitamente, não haveria uma primeira causa; – ora, se não houvesse uma primeira causa, também não haveria causas subsequentes, mas tais causas existem; – terá de haver uma primeira causa, a que chamamos Deus, que seja a origem de todas as causas e não seja causada por nenhuma outra coisa; OU – tudo na Natureza tem um propósito, incluindo coisas como, por exemplo, a Lua, mas essas coisas não podem mover-se de acordo com um propósito, a menos que sejam dirigidas por alguém com conhecimento e inteligência; – do mesmo modo que uma seta não se move para o seu alvo sem um arqueiro que a dirija, também as coisas naturais sem inteligência não se movem para os seus fins sem um ser inteligente que as dirija; – terá de haver um ser inteligente que dirija todas as coisas sem inteligência para os seus fins, e a esse ser chamamos Deus; OU – Deus é, por definição, o maior ser pensável e, se compreendermos a natureza de Deus, reconheceremos que Deus terá de existir; – ora, o que existe no pensamento e na realidade é de uma grandeza maior do que o que existe apenas no pensamento; – Deus, o maior ser pensável, terá de existir não apenas no pensamento, mas também na realidade; OU – não temos provas de que Deus existe, mas admitindo que é tão provável que exista como que não exista, ainda assim é racional apostar que Deus existe, tendo em conta as previsíveis consequências práticas da nossa aposta; – se apostarmos que Deus existe e Deus existir, obteremos a felicidade eterna e, além disso, teremos uma vida terrena com prazeres mais elevados do que uma vida de prazeres banais; se apostarmos que Deus existe e Deus não existir, nada ganharemos e nada perderemos; se apostarmos que Deus não existe e Deus não existir, nada perderemos; e se apostarmos que Deus não existe e Deus existir, perderemos tudo e sofreremos uma punição eterna; – logo, é racional e prudente que cada indivíduo faça a aposta de que Deus existe, que é aquela que oferece uma compensação maior. No caso de o aluno considerar que não há boas razões para acreditar que Deus existe: – é uma evidência que o mal existe no mundo, seja aquele que resulta de ações humanas, seja aquele que tem como causa acontecimentos naturais que os seres humanos não controlam; – um Deus sumamente bom quereria prevenir a existência do mal, um Deus omnisciente conheceria a diferença entre o bem e o mal e saberia como impedir que o mal ocorresse, e um Deus todo-poderoso, querendo e sabendo como impedir a existência do mal, poderia impedi-la; – a existência de mal no mundo é incompatível com a existência de Deus e, além de nos levar a afirmar que não temos boas razões para acreditar que Deus existe, permite ainda sustentar que Deus não existe; OU – o argumento cosmológico não nos dá boas razões para acreditar que Deus existe, pois não é seguro que uma entidade que existe fora da natureza seja o Deus pessoal com as propriedades de suma bondade, omnipotência e omnisciência; – por outro lado, ainda que qualquer acontecimento natural remonte a um acontecimento que ocorre fora da natureza, daí não se segue que existe apenas um acontecimento fora do mundo natural a que remonte cada acontecimento natural; – além disso, do facto de nenhum acontecimento natural poder ocorrer sem ser causado não se segue que tenha de haver um primeiro acontecimento natural – as cadeias causais podem estender-se infinitamente; OU – o argumento teleológico, ou do desígnio inteligente, não nos dá boas razões para acreditar que Deus existe, pois as premissas de que se parte são duvidosas; – quando observamos o mundo, verificamos que poderia estar ordenado de forma mais inteligente (por exemplo, com menos doenças ou menos catástrofes naturais); – a teoria da evolução por seleção natural mostra que os processos evolutivos não são orientados por uma inteligência ou mente, e a hipótese da seleção natural torna provável que os organismos se adaptem; OU – o argumento ontológico não nos dá boas razões para acreditar que Deus existe, pois podemos conceber uma ilha maior do que a qual nenhuma outra existe – uma ilha perfeita –, mas a existência de uma ilha perfeita não pode ser estabelecida por um argumento a priori construído a partir da análise do conceito de ilha perfeita – a existência de uma ilha perfeita não pode ser descoberta apenas pelo uso da razão; – também poderíamos incluir na definição de um conceito a propriedade da existência – por exemplo, poderíamos definir um E-unicórnio como um unicórnio existente –, mas isso não implicaria que o conceito fosse exemplificado; – a proposição de que Deus existe é uma proposição acerca do conceito de Deus, pela qual se afirma que o conceito de Deus é exemplificado, e não uma proposição acerca de Deus, na qual se afirmasse que a existência é uma das suas propriedades. OU – apenas os argumentos baseados em evidências podem persuadir-nos de que Deus existe, e nesse caso, não sendo o argumento do apostador baseado em evidências, mas em considerações práticas, não temos a convicção de que existe algo de real por detrás da aposta; – é errado excluir a priori conceitos de Deus igualmente admissíveis e pressupor unicamente um Deus que recompensa os crentes com a felicidade eterna ou que castiga eternamente os descrentes; – é possível que Deus recompense as pessoas que são boas, sejam ou não crentes, ou que castigue aquelas que, apenas por interesse próprio (por exemplo, aquelas que são persuadidas pelo argumento do apostador), procurem ganhar os seus favores. Nota – Os aspetos constantes dos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis, designadamente, respostas nas quais se consideram conceções não teístas de Deus.

Parâmetros Níveis Descritores de desempenho Pontuação
A - Problematização 2 Clarifica adequadamente o problema filosófico inerente à questão apresentada. 3
1 Clarifica com imprecisões, ou de modo implícito, o problema filosófico inerente à questão apresentada. 2
B - Argumentação a favor de uma posição pessoal 3 Apresenta inequivocamente a perspetiva defendida. Evidencia um bom domínio das competências argumentativas:
  • articula adequadamente os argumentos ou as razões ou os exemplos apresentados;
  • apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da perspetiva defendida ou contra perspetivas rivais da defendida.
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2 Apresenta inequivocamente a perspetiva defendida. Evidencia um domínio satisfatório das competências argumentativas:
  • elenca os argumentos, as razões ou os exemplos;
  • apresenta, com imprecisões, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da perspetiva defendida ou contra perspetivas rivais da defendida.
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1 Apresenta a perspetiva defendida, ainda que de modo implícito. Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentadas a favor da perspetiva defendida, ou contra perspetivas rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados. 2
C - Adequação conceptual e teórica 2 Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema, mostrando compreensão dessa(s) perspetiva(s). 3
1 Aplica com imprecisões conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza com imprecisões (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema, mostrando uma compreensão parcial dos aspetos centrais dessa(s) perspetiva(s). 2
D - Comunicação 2 Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve com sintaxe, ortografia e pontuação globalmente corretas. 2
1 Apresenta um discurso fluente, embora com falhas pontuais na estruturação. Escreve com sintaxe, ortografia e pontuação globalmente corretas, podendo apresentar falhas pontuais. 1

Matéria Associada
Existência de Deus; Problema do Mal; Argumentos a favor da existência de Deus; Argumentos contra a existência de Deus
Resumo Pedagógico
Treina a clarificação do problema filosófico da existência de Deus, a defesa de uma posição pessoal e a fundamentação com argumentos clássicos (teístas e ateístas/agnósticos).

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