Descartes: Cogito e o Fundamento do Conhecimento (Filosofia 11º Ano 2022)

Análise e debate sobre o 'Penso, logo existo' de Descartes como passo fundamental para responder à questão do conhecimento.

DescartesCogito ergo sumFundamento do conhecimentoEpistemologiaDúvida metódicaFilosofia 11Exame Nacional 2022
Informações do Exame

Ano Escolar: 11º Ano

Disciplina: Filosofia (714)

Ano: 2022

Fase: 1.ª Fase

Pergunta nº: 14.2

Exame: Abrir PDF

Critérios de Classificação: Abrir PDF

Pergunta (14.2)
Leia o texto seguinte.
Descartes ficou eternamente famoso com o seu dito «penso, logo existo» (cogito ergo sum).
Mas deu-lhe muito trabalho chegar a ele [.
.
.
].
Ao considerar a autoapreensão o caso paradigmático de conhecimento, [.
.
.
] Descartes colocou-nos firmemente no centro do domínio cognitivo.
[.
.
.
] A ênfase mudou de «como são as coisas?» para «como podemos saber como são as coisas?».
N.
Rescher, Uma Viagem pela Filosofia em 101 Episódios, Lisboa, Gradiva, 2018, pp.
148-149.
(Texto adaptado)
«Como podemos saber como são as coisas?» Será que o cogito é o passo fundamental da resposta a esta questão? Na sua resposta, deve:
– apresentar inequivocamente a sua posição; – argumentar a favor da sua posição.
Critério de Classificação
A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Apresentação inequívoca da posição defendida. Justificação da posição defendida - cenários de resposta: No caso de o examinando afirmar que o cogito é o passo fundamental da resposta à questão apresentada: – o cogito é indubitável e, sendo a primeira certeza, é o fundamento seguro do conhecimento; – a partir da indubitabilidade do cogito é possível inferir outras verdades e recuperar a confiança nas nossas faculdades; – desde que usadas de modo prudente (aplicando o critério da clareza e distinção), as nossas faculdades permitem-nos conhecer o mundo. No caso de o examinando afirmar que o cogito não é o passo fundamental da resposta à questão apresentada: – ainda que o cogito seja indubitável, não pode fundar o conhecimento; – o processo de dúvida, sendo universal, teria atingido a confiança nas nossas faculdades (cognitivas); – ora, para avançarmos além do cogito, precisaríamos de confiar nas nossas faculdades (designadamente, na faculdade de raciocínio). OU – o problema do conhecimento não é o de termos ideias, mas antes o de essas ideias corresponderem às coisas fora da nossa mente; – para avançarmos além do cogito e das ideias e chegarmos ao mundo e às coisas, precisamos da regra da clareza e distinção; – mas a certeza desta regra só será alcançada uma vez estabelecida a existência de Deus e, para a estabelecermos, temos de confiar na regra (o que constitui um raciocínio circular). OU – se a dúvida universal recomendada por Descartes fosse levada às últimas consequências, o cogito (a ideia de haver um eu pensante) também não resistiria (nem poderia ser o fundamento do edifício do conhecimento); – do facto de haver pensamentos não se pode inferir que há um eu que os pensa OU a ideia de haver um eu pensante, sujeito dos pensamentos, pressupõe, sem justificação, a existência de uma entidade (o eu) independente da descoberta de pensamentos; – ora, a ideia de haver um eu pensante é tão duvidosa como, por exemplo, a crença de que há uma folha de papel que corresponde à ideia de «esta folha de papel» (sendo também posta em causa pela hipótese do génio maligno). OU – o eu/sujeito é uma coisa pensante que se conhece a si mesma a priori, mas, ainda que se aceite a autoapreensão do eu/sujeito como um caso de genuíno conhecimento substancial, é errado inferir que as coisas exteriores ao eu/sujeito possam ser conhecidas do mesmo modo; – a relação dos agentes cognitivos com as coisas exteriores apenas poderá ocorrer por intermédio da experiência e, por isso, o conhecimento dessas coisas depende dos dados fornecidos pela experiência (é a posteriori); – a autoapreensão do cogito, por ser a priori, não contém informação sobre como são as coisas (e, por conseguinte, não é um passo indispensável para se ter conhecimento substancial das coisas). Nota – Os aspetos constantes nos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis. A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos parâmetros seguintes. A - Argumentação a favor de uma posição pessoal ................................................................... 8 pontos B - Adequação conceptual e teórica ............................................................................................ 4 pontos C - Comunicação .......................................................................................................................... 2 pontos
ParâmetrosNíveisDescritores de desempenhoPontuação
A
Argumentação a favor de uma posição pessoal
3Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia domínio das competências argumentativas: • articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos apresentados; • apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida ou contra posições rivais da defendida.8
2Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia domínio das competências argumentativas: • elenca os argumentos, as razões ou os exemplos; • apresenta, com imprecisões, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida ou contra posições rivais da defendida.5
1Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito. Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados.2
B
Adequação conceptual e teórica
2Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema, mostrando compreensão dessa(s) perspetiva(s).4
1Aplica com imprecisões conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza com imprecisões (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema, mostrando uma compreensão parcial dos aspetos centrais dessa(s) perspetiva(s).2
C
Comunicação
2Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.2
1Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.1
Nota – A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro C – Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.
Matéria Associada
Filosofia; Epistemologia; Descartes; Cogito
Resumo Pedagógico
Este exercício permite ao aluno posicionar-se criticamente sobre o papel do 'cogito' de Descartes como ponto de partida para a fundamentação do conhecimento e praticar a argumentação filosófica.

EXPLICAÇÕES

Inscreve-te
aqui  

Inscreve-te aqui

Inscreve-te nas explicações dos Ginásios Da Vinci e prepara-te para conseguires as melhores notas.













Observações

Se quiser adicionar um comentário, escreva-o no campo abaixo:


Aceito os Termos de Privacidade e consinto ser contactado e receber informação dos Ginásios da Educação Da Vinci. (Ler aqui os Termos de Privacidade)


Ginásios da Educação Da Vinci

Os Ginásios da Educação Da Vinci é uma rede franchising de serviços de educação dirigidos, não só a jovens, mas também a adultos. Para além de explicações e apoio escolar, a marca oferece uma vasta gama de outros serviços de caracter educativo e pedagógico, dirigido a todas as idades.

     

Contactos - Master

+351 289 108 105
ginasios@davinci.com.pt
www.ginasiosdavinci.com
Master Office: Largo do Carmo nº51, Faro



Contactos - Unidades
Franchising
Recrutamento
Termos de Privacidade

As unidades franchisadas dos Ginásios da Educação Da Vinci são jurídica e financeiramente independentes.
Livro de Reclamações | Centros de Arbitragem de Conflitos de Consumo