A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes.
Apresentação inequívoca da posição defendida.
Justificação da posição defendida - cenários de resposta:
No caso de o examinando afirmar que o cogito é o passo fundamental da resposta à questão apresentada:
– o cogito é indubitável e, sendo a primeira certeza, é o fundamento seguro do conhecimento;
– a partir da indubitabilidade do cogito é possível inferir outras verdades e recuperar a confiança nas nossas faculdades;
– desde que usadas de modo prudente (aplicando o critério da clareza e distinção), as nossas faculdades permitem-nos conhecer o mundo.
No caso de o examinando afirmar que o cogito não é o passo fundamental da resposta à questão apresentada:
– ainda que o cogito seja indubitável, não pode fundar o conhecimento;
– o processo de dúvida, sendo universal, teria atingido a confiança nas nossas faculdades (cognitivas);
– ora, para avançarmos além do cogito, precisaríamos de confiar nas nossas faculdades (designadamente, na faculdade de raciocínio).
OU
– o problema do conhecimento não é o de termos ideias, mas antes o de essas ideias corresponderem às coisas fora da nossa mente;
– para avançarmos além do cogito e das ideias e chegarmos ao mundo e às coisas, precisamos da regra da clareza e distinção;
– mas a certeza desta regra só será alcançada uma vez estabelecida a existência de Deus e, para a estabelecermos, temos de confiar na regra (o que constitui um raciocínio circular).
OU
– se a dúvida universal recomendada por Descartes fosse levada às últimas consequências, o cogito (a ideia de haver um eu pensante) também não resistiria (nem poderia ser o fundamento do edifício do conhecimento);
– do facto de haver pensamentos não se pode inferir que há um eu que os pensa OU a ideia de haver um eu pensante, sujeito dos pensamentos, pressupõe, sem justificação, a existência de uma entidade (o eu) independente da descoberta de pensamentos;
– ora, a ideia de haver um eu pensante é tão duvidosa como, por exemplo, a crença de que há uma folha de papel que corresponde à ideia de «esta folha de papel» (sendo também posta em causa pela hipótese do génio maligno).
OU
– o eu/sujeito é uma coisa pensante que se conhece a si mesma a priori, mas, ainda que se aceite a autoapreensão do eu/sujeito como um caso de genuíno conhecimento substancial, é errado inferir que as coisas exteriores ao eu/sujeito possam ser conhecidas do mesmo modo;
– a relação dos agentes cognitivos com as coisas exteriores apenas poderá ocorrer por intermédio da experiência e, por isso, o conhecimento dessas coisas depende dos dados fornecidos pela experiência (é a posteriori);
– a autoapreensão do cogito, por ser a priori, não contém informação sobre como são as coisas (e, por conseguinte, não é um passo indispensável para se ter conhecimento substancial das coisas).
Nota – Os aspetos constantes nos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis.
A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos parâmetros seguintes.
A - Argumentação a favor de uma posição pessoal ................................................................... 8 pontos
B - Adequação conceptual e teórica ............................................................................................ 4 pontos
C - Comunicação .......................................................................................................................... 2 pontos
| Parâmetros | Níveis | Descritores de desempenho | Pontuação |
A Argumentação a favor de uma posição pessoal | 3 | Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia domínio das competências argumentativas: • articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos apresentados; • apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida ou contra posições rivais da defendida. | 8 |
| 2 | Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia domínio das competências argumentativas: • elenca os argumentos, as razões ou os exemplos; • apresenta, com imprecisões, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida ou contra posições rivais da defendida. | 5 |
| 1 | Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito. Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados. | 2 |
B Adequação conceptual e teórica | 2 | Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema, mostrando compreensão dessa(s) perspetiva(s). | 4 |
| 1 | Aplica com imprecisões conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza com imprecisões (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema, mostrando uma compreensão parcial dos aspetos centrais dessa(s) perspetiva(s). | 2 |
C Comunicação | 2 | Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação. | 2 |
| 1 | Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação. | 1 |
Nota – A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro C – Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.