Desafio Cético: É Possível Conhecer? | Exame Filosofia 11º Ano

Resolve este exercício do Exame Nacional de Filosofia 11º ano sobre o desafio cético. Aprende a argumentar se é possível ou não superar o ceticismo.

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Informações do Exame

Ano Escolar: 11º Ano

Disciplina: Filosofia (714)

Ano: 2025

Fase: 1.ª Fase

Pergunta nº: 15

Pergunta (15)
O desafio cético tem merecido a atenção dos filósofos e levanta um problema para o qual são apresentadas respostas muito diferentes, como as de Descartes e de Hume.
Na sua opinião, será possível superar o desafio cético? Na sua resposta, deve clarificar o problema levantado no desafio cético; apresentar inequivocamente a sua posição; argumentar a favor da sua posição.
Critério de Classificação
A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Clarificação do problema levantado no desafio cético: – o problema levantado no desafio cético é o da possibilidade do conhecimento (OU é o de determinar se o conhecimento é possível); – o problema de determinar se o conhecimento é possível decorre das dificuldades encontradas quando se procura assegurar justificações apropriadas para as nossas crenças verdadeiras. No caso de o examinando defender que não é possível superar o desafio cético OU – as nossas crenças acerca de acontecimentos futuros (por exemplo, a crença de que o Sol nascerá amanhã ou a crença de que uma bola de bilhar se moverá após uma outra bola de bilhar colidir com ela) são justificadas por meio de argumentos indutivos, os quais parecem tornar provável, ou mesmo certa, a ocorrência de tais acontecimentos; – os argumentos indutivos pressupõem implicitamente o princípio de que a Natureza funciona de modo uniforme e de que o futuro será igual ao passado; – no entanto, o melhor argumento de que dispomos a favor do princípio da uniformidade da Natureza é, ele próprio, indutivo, e um argumento indutivo a favor do princípio da uniformidade da Natureza seria circular (dado apoiar-se no próprio princípio que tentaria provar); – por outro lado, um argumento dedutivo a favor do princípio da uniformidade da Natureza seria inviável (OU não há um argumento dedutivo, ou demonstrativo, a favor do princípio da uniformidade da Natureza), na medida em que não é uma verdade conceptual que a Natureza seja uniforme (OU não é contraditório afirmar que a Natureza não é uniforme OU é possível conceber a Natureza a funcionar de modo não uniforme); – por conseguinte, pelo menos a respeito das nossas crenças acerca de acontecimentos futuros, o desafio cético mantém-se. OU – tentamos justificar muitas crenças através dos sentidos, mas não se pode garantir que essas justificações sejam adequadas, pois existe a possibilidade de os sentidos serem enganadores; – tentamos justificar uma crença recorrendo a outra crença, mas esta também precisa de ser justificada, e assim sucessivamente; – como este processo envolve uma regressão infinita, não se pode dizer que produza justificações adequadas; – as nossas crenças, mesmo que algumas delas sejam verdadeiras, não estão adequadamente justificadas e, como tal, não constituem conhecimento; – por isso, os céticos radicais estão certos quando dizem que nada sabemos e que a atitude preferível é suspender o juízo OU a crença. OU – as capacidades (OU faculdades) que usamos nas nossas tentativas para conhecer o mundo são limitadas e falíveis (e estas são as suas principais características permanentes); – as nossas capacidades percetivas e de raciocínio, por exemplo, estão sempre expostas a ilusões, erros e imprecisões; – a vulnerabilidade permanente ao erro das capacidades que usamos para conhecer o mundo impede-nos de chegar a uma confiança inabalável nas justificações das nossas crenças; – uma vez que a correção de ilusões percetivas e de erros de raciocínio depende das próprias capacidades que os produziram, não é possível descobrir de modo infalível uma verdade básica (ou seja, uma verdade que se fundamente a si mesma); – por conseguinte, não é possível impedir a regressão infinita do processo de justificação das nossas crenças, e o estado de dúvida é incurável. No caso de o examinando defender que é possível superar o desafio cético – as nossas crenças acerca do funcionamento da Natureza podem ter justificações apropriadas caso se apoiem numa verdade básica que satisfaça conjuntamente certas exigências; – uma dessas exigências é a de que a crença nessa verdade se justifique a si mesma e, desse modo, permita bloquear a regressão infinita da justificação; – outra exigência é a de que seja impossível duvidar dessa verdade sem, nesse momento (enquanto dela se duvida), a certificar (OU outra exigência é a de que a descoberta dessa verdade seja tão segura que consista num estado mental de certeza); – o conhecimento do cogito é o conhecimento de uma verdade que se fundamenta a si mesma, na medida em que o recurso a um argumento cético para duvidar dela – tal como o argumento do génio maligno - certifica, precisamente, que se é uma coisa pensante; – por conseguinte, a confiabilidade de uma cadeia de justificações que repousa no conhecimento inabalável do cogito permite superar o desafio cético. Nota – Os aspetos constantes nos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis. A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos parâmetros seguintes. A - Problematização (2 pontos) B - Argumentação a favor de uma posição pessoal (6 pontos) C - Adequação conceptual e teórica (4 pontos) D - Comunicação (2 pontos)
Parâmetro Nível Descritor de desempenho Pontuação
A
Problematização
2 Clarifica adequadamente o problema filosófico proposto. 2
1 Clarifica com imprecisões o problema filosófico proposto. 1
B
Argumentação a favor de uma posição pessoal
3 Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:
  • apresenta, com clareza e correção, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;
  • articula adequadamente os argumentos, as razões ou os exemplos apresentados.
6
2 Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia competências argumentativas:
  • apresenta, com imprecisões, argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida;
  • elenca os argumentos, as razões ou os exemplos, sem os articular adequadamente.
4
1 Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito. Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da posição defendida, ou contra posições rivais da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados. 2
C
Adequação conceptual e teórica
2 Aplica corretamente conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza, de modo preciso, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema. 4
1 Aplica, com imprecisões, conceitos relevantes para a discussão do problema. Mobiliza, com imprecisões, (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema. 2
D
Comunicação
2 Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação. 2
1 Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação. 1
Nota – A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro D – Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.
Matéria Associada
Epistemologia; O desafio cético; A resposta racionalista de Descartes; A resposta empirista de Hume
Resumo Pedagógico
Neste exercício, vais treinar a tua capacidade de argumentação filosófica sobre o desafio cético, defendendo uma posição sobre a possibilidade do conhecimento.

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