Leibniz e o Problema do Mal | Exame Filosofia 11º Ano (2025)

Resolve este exercício sobre a teodiceia de Leibniz e o problema do mal. Prepara-te para o Exame Nacional de Filosofia 11º ano de 2025.

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Informações do Exame

Ano Escolar: 11º Ano

Disciplina: Filosofia (714)

Ano: 2025

Fase: 2.ª Fase

Pergunta nº: 16

Pergunta (16)
Considere o texto seguinte, no qual Leibniz procura responder ao problema do mal.
Deus criou as coisas com perfeição máxima, embora nós não o percebamos quando consideramos as partes do universo.
Pode comparar-se ao que ocorre na música e na pintura, em que as sombras e as dissonâncias verdadeiramente enriquecem as outras partes, e o autor competente de tais obras obtém destas imperfeições particulares uma tão grande vantagem para a perfeição total da obra que, em vez de passar sem elas, prefere integrá-las na obra.
[.
.
.
] Deus não teria permitido o pecado, nem teria criado seres que sabe que irão pecar, se não pudesse obter das imperfeições um bem incomparavelmente maior do que o mal daí resultante.
G.
W.
Leibniz, Diálogo sobre a Liberdade Humana e a Origem do Mal, in Philosophical Essays, Indianapolis, Hackett, 1989, p.
115.
(Texto traduzido) Que argumento poderia ser apresentado contra a solução de Leibniz para o problema do mal? Na sua resposta, deve formular o problema do mal; clarificar a solução apresentada por Leibniz para esse problema; propor um argumento contra a solução de Leibniz.
Critério de Classificação
A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes. Formulação do problema do mal: – Deus, sendo sumamente bom, omnisciente e omnipotente, não deseja o mal, saberia impedi-lo e poderia impedi-lo – assim, é preciso compreender por que razão Deus permite o mal (seja o mal moral seja o mal natural); OU – será possível compatibilizar a existência do mal (seja o mal moral seja o mal natural) com a existência de um criador sumamente bom, omnisciente e omnipotente? Percurso A Clarificação da resposta de Leibniz ao problema do mal: – de acordo com Leibniz, para impedir o mal (moral), Deus teria de impedir o pecado; – ora, para impedir o pecado, Deus não poderia ter concedido livre-arbítrio às pessoas; – sem livre-arbítrio, as pessoas não pecariam, mas também não poderiam ser virtuosas; – Deus, o criador, concedeu livre-arbítrio às pessoas, ou seja, concedeu-lhes o poder de escolherem entre fazer o bem e não o fazer. Argumentação contra a resposta de Leibniz – cenários de resposta: – Leibniz considera que, embora o mal moral seja uma consequência do livre-arbítrio, a existência de livre-arbítrio gera um «bem incomparavelmente maior» do que o mal resultante do pecado; – porém, não é inconcebível um livre-arbítrio em cujo exercício o mal estivesse vedado e em que (em vez de haver liberdade de escolha entre fazer o bem e não o fazer) houvesse liberdade de escolha entre graus de bem (por exemplo, entre apenas encorajar um amigo ou, além de o encorajar, ajudá-lo) ou entre diferentes vias de realização do bem (por exemplo, doar dinheiro para obras de beneficência fazendo a transferência por telemóvel ou numa agência bancária); – assim, Deus poderia ter criado seres com livre-arbítrio, mas que não pecassem; – justificar a existência do mal moral com a existência de livre-arbítrio é uma solução débil, dado a segunda não ser uma condição suficiente da primeira (OU dado a primeira não ser uma condição necessária da segunda). OU Percurso B Clarificação da resposta de Leibniz ao problema do mal: – (Leibniz, em resposta ao problema do mal, afirmou que) o mal gratuito não existe (por conseguinte, Leibniz dissolveu o problema); – alguns acontecimentos parecem-nos ser males gratuitos (por exemplo, guerras, tráfico de seres humanos, atos terroristas, doenças que provocam um sofrimento atroz, pragas, terramotos, tornados, maremotos); – contudo, de acordo com Leibniz, tal perceção decorre de um conhecimento incompleto do mundo, pois, se o conhecêssemos (completamente), compreenderíamos que o seu funcionamento seria pior, ou impossível, sem esses acontecimentos; – este é, de acordo com Leibniz, o melhor dos mundos possíveis. Argumentação contra a resposta de Leibniz – cenários de resposta: – segundo Leibniz, as limitações da nossa inteligência não nos permitem compreender o mal como parte do bem OU que certos bens resultam de supostos males; – ora, também é possível que o bem seja antes parte do mal OU que certos males resultem de supostos bens; – por exemplo, os pais deleitam-se com o filho recém-nascido e, mais tarde, são informados de que o bebé tem uma doença que lhe provocará um sofrimento atroz e o fará morrer; – é possível considerar que o bem do nascimento e do sentimento de deleite seja uma parte do mal infligido aos pais e ao bebé. OU – a perspetiva de Leibniz é fortemente contraintuitiva OU especulativa OU insensata OU implausível; – é certo que alguns males parecem justificar-se e, nessa medida, não são gratuitos - por exemplo, a sensação de fome leva-nos a procurar alimento, e a sensação de dor leva-nos a proteger o corpo; – contudo, também existem males para os quais não há justificação – por exemplo, a agonia que precede a morte de uma pessoa inocente; – a estratégia argumentativa de Leibniz passa por nos propor que neguemos uma evidência – algum mal é gratuito - e acreditemos em algo absurdo – nenhum mal é gratuito. Notas: 1. A resposta é classificada em igualdade de circunstâncias caso o atributo da omnisciência não seja referido e apenas sejam referidos os atributos da omnipotência e da suma bondade. 2. Caso a formulação do problema do mal e a clarificação da resposta de Leibniz não sejam feitas no início da resposta, tal desvio em relação à instrução do item, por si só, não compromete a qualidade do desempenho. 3. Os aspetos constantes dos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis. A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas a cada um dos parâmetros seguintes.
ParâmetroNívelDescritor de desempenhoPontuação
A Problematização2Formula, de modo completo e preciso, o problema do mal.3
A Problematização1Formula, de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas incompleto, o problema do mal.2
B Clarificação3Clarifica, de modo completo e preciso, a resposta de Leibniz ao problema do mal.4
B Clarificação2Clarifica, de modo completo, mas com imprecisões OU de modo preciso, mas incompleto, a resposta de Leibniz ao problema do mal.3
B Clarificação1Refere corretamente aspetos da resposta de Leibniz ao problema do mal, sem a clarificar.1
C Argumentação2Evidencia competências argumentativas: • apresenta, com clareza e correção, um argumento, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis contra a resposta de Leibniz ao problema do mal; • articula adequadamente o argumento, as razões ou os exemplos apresentados.5
C Argumentação1Evidencia competências argumentativas: • apresenta, com imprecisões, um argumento, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis contra a resposta de Leibniz ao problema do mal; • refere o argumento, as razões ou os exemplos, sem os articular adequadamente.3
D Comunicação2Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.2
D Comunicação1Apresenta um discurso com falhas na estruturação ou pouco fluente. Escreve de forma globalmente correta, podendo apresentar falhas pontuais que não comprometem a clareza da comunicação.1
Nota – A resposta é classificada com zero pontos no parâmetro D – Comunicação se não for atingido o nível 1 de desempenho em, pelo menos, um dos outros parâmetros.
Matéria Associada
A Dimensão Religiosa; O Problema do Mal; A Teodiceia de Leibniz; Livre-Arbítrio
Resumo Pedagógico
Analisa a resposta de Leibniz ao problema do mal, formula o problema, clarifica a sua teodiceia e desenvolve um argumento crítico contra a sua solução.

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