Critérios específicos de classificação
*
• Aspectos de conteúdo (C) 15 pontos
Apresentam-se três níveis de desempenho e a pontuação máxima a atribuir a cada um deles.
| Níveis de desempenho | Descritores | Pontuação |
| 3 | Identifica dois recursos estilísticos, interpretando, adequadamente, o efeito expressivo de cada um deles. | 15 |
| 2 | Identifica dois recursos estilísticos, interpretando, adequadamente, o efeito expressivo de apenas um deles. | 10 |
| 1 | Identifica um recurso estilístico, interpretando, adequadamente, o respectivo efeito expressivo. | 8 |
• Aspectos de organização e correcção linguística (F) 10 pontos
Evidencia coerência na articulação das ideias e na estruturação do texto 5 pontos
Escreve com correcção linguística (sintaxe e morfologia; léxico; pontuação; ortografia).* 5 pontos
Cenário de resposta
Estão presentes no poema, entre outros, os seguintes recursos estilísticos:
– a adjectivação – «pobre» (v. 1), «feliz» (v. 2), «cheia», «alegre e anónima» (vv. 3-4), «limpo» (v. 6), «suave» (v. 7), «incerta» (v. 16), «alegre» (v. 18), «breve» (v. 21), «leve» (v. 23) –, ora descrevendo (antiteticamente) a ceifeira e o seu canto, ora sublinhando o drama íntimo do «eu»;
– a comparação («Ondula como um canto de ave / No ar limpo como um limiar» vv. 5-6), associando o canto da ceifeira ao trinar modulado da «ave», que se estende pelo «ar» límpido, como que acedendo à transposição para outro espaço («limiar»);
– a antítese («Ouvi-la alegra e entristece» v. 9), e expressões antitéticas contrastantes («pobre ceifeira, / Julgando-se feliz», «alegre e anónima viuvez» vv. 1-4), «Pesa tanto» / [...] / sombra leve» vv. 21 e 23), sublinhando a natureza contraditória tanto do canto da ceifeira como da reacção do «eu»;
– a metáfora (por exemplo: «Ondula», «E há curvas no enredo suave / Do som», «Na sua voz há o campo e a lida», «Derrama no meu coração / A tua incerta voz ondeando» vv. 5, 7-8, 10 e 15-16), exprimindo o movimento sinuoso do canto, que envolve o «coração» com a sua extrema limpidez (e mimetizando a impressão visual da seara ondulante que ela ceifa);
– o paradoxo («O que em mim sente stá pensando», «Ah, poder ser tu, sendo eu!», «Ter a tua alegre inconsciência, / E a consciência disso!» vv. 14, 17 e 18-19), evidenciando o carácter dilemático do sujeito poético (experimentando simultaneamente o pensar e o sentir, a inconsciência e a lucidez);
– a apóstrofe («Ó céu! / Ó campo! Ó canção» vv. 19-20), numa invocação de entidades simbólicas;
– a personificação do «céu», do «campo» e da «canção» («Entrai», «Tornai», «levando-me, passai» vv. 22 e 24), revestidos de um poder sobre-humano (o de resolverem o drama do «eu» e de lhe permitirem a libertação);
* Vide Factores de desvalorização – Domínio da correcção linguística (p. C/3).