PERCURSO B – A experiência religiosa. Será que a resposta religiosa para o problema do sentido da vida é satisfatória?
A resposta integra os aspetos seguintes, ou outros igualmente relevantes.
Nota - Os aspetos constantes dos cenários de resposta apresentados são apenas ilustrativos, não esgotando o espectro de respostas adequadas possíveis.
Formulação e esclarecimento do problema do sentido da vida:
Será que a nossa vida tem sentido?
O problema do sentido da vida consiste em saber se a nossa vida tem um propósito/uma finalidade com valor (intrínseco).
Apresentação inequívoca de uma posição.
Justificação da posição defendida:
No caso de o examinando defender que a resposta religiosa para o problema do sentido da vida é satisfatória.
– aquilo que fazemos tem valor na medida em que nos permite atingir finalidades com valor;
– se nos aplicássemos numa invenção (por exemplo, de uma máquina), e essa invenção não tivesse utilidade ou, assim que a terminássemos, desaparecesse (por exemplo, no caso da máquina, se implodisse), consideraríamos justificadamente que o nosso empenho tinha sido destituído de sentido;
– de modo análogo, se vivêssemos, empenhando-nos numa vida produtiva ou ética, e no fim, com a nossa morte, tudo terminasse, poderíamos justificadamente considerar que a nossa vida e o nosso empenho numa vida produtiva ou ética eram destituídos de sentido;
– a existência de Deus (que nos criou com uma alma imortal) e a imortalidade da alma asseguram que, com a morte física, nem tudo termina, pelo que não temos de concluir que a nossa vida e o nosso empenho numa vida produtiva ou ética são destituídos de sentido;
– os crentes num Deus pessoal, omnisciente e sumamente bom têm, por vezes, como os não crentes, momentos de dúvida em relação ao sentido da sua vida e do seu empenho em levar uma vida produtiva ou ética; por exemplo, perante tragédias pessoais (como as doenças graves) ou universais (como as grandes catástrofes naturais), podemos duvidar desse sentido e desistir do empenho em levar uma vida produtiva ou ética;
– porém, ao contrário dos não crentes, os crentes acreditam que Deus tem um propósito com valor para a nossa vida, mesmo que esse propósito não seja claro para nós, dadas as limitações da nossa compreensão;
– a crença nesse propósito superior e divino, que não está ao alcance da nossa compreensão, é o que torna satisfatória a resposta religiosa para o problema do sentido da vida.
No caso de o examinando defender que a resposta religiosa para o problema do sentido da vida não é satisfatória.
– aquilo que fazemos tem valor na medida em que nos permite atingir finalidades com valor;
– muitas pessoas pensam que, se a nossa vida tem um fim (que, para muitos, coincide com o momento da morte), então não tem sentido; mas isso não é certo: a nossa vida pode ter valor apesar de ter um fim ou, até, exatamente por ter um fim;
– se nos aplicássemos numa invenção (por exemplo, um robô usado na recuperação de acidentados graves), e essa invenção desaparecesse assim que a terminássemos (por exemplo, no caso do robô, se alguém o roubasse), consideraríamos justificadamente que o nosso empenho não tinha sido destituído de sentido, tendo em conta o valor intrínseco do conhecimento adquirido;
– é evidente que o valor instrumental da invenção (facilitar a recuperação de acidentados graves) se perdeu, mas o nosso empenho não foi, ainda assim, destituído de sentido, porque o conhecimento adquirido tem valor intrínseco, assegurando, assim, o sentido do nosso empenho;
– se nos empenhamos em atividades com valor intrínseco (como o conhecimento ou a justiça), não necessitamos de propósitos adicionais ou últimos, que só uma figura transcendente ou uma promessa de vida imortal nos pudessem dar; as nossas atividades têm valor, independentemente de tais propósitos;
– as coisas que fazemos pelo prazer que nos dão são boas mesmo quando terminam e, em certos casos, são boas exatamente porque terminam; por exemplo, gostamos de ouvir música e dançar, e um serão passado a ouvir música e a dançar não perde valor quando termina – pelo contrário, é até admissível que um serão interminável ou eterno tivesse menos valor do que um que termina; assim, há aspetos da nossa vida cujo valor depende exatamente de terminarem;
– por fim, caso entendamos que cada uma das nossas atividades só tem sentido se integrada numa vida que, como um todo, tem um sentido maior ou mais abrangente, e que esse sentido só pode ocorrer se integrado num sentido ainda maior e ainda mais abrangente dado por Deus e só conhecido por Deus, não se compreende por que razão temos de parar aqui na procura de um sentido maior e mais abrangente: é sempre possível exigir que haja um sentido para a criação divina e para a existência de um Deus criador.
A classificação final da resposta resulta da soma das pontuações atribuídas em cada um dos parâmetros seguintes.
A - Problematização (6 pontos)
B - Argumentação a favor de uma posição pessoal (12 pontos)
C - Adequação conceptual e teórica (8 pontos)
D - Comunicação (4 pontos)
| Parâmetros | Níveis | Descritores de desempenho | Pontuação |
|---|
| A Problematização | 3 | Formula e esclarece corretamente o problema filosófico em causa. | 6 |
| 2 | Formula o problema filosófico em causa, mas esclarece-o com imprecisões. | 4 |
| 1 | Formula o problema filosófico, sem o esclarecer. OU Esclarece o problema com imprecisões, sem o formular. | 2 |
| B Argumentação a favor de uma posição pessoal | 3 | Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia um bom domínio das competências argumentativas, articulando adequadamente e com autonomia os argumentos, ou as razões ou os exemplos apresentados. Apresenta com clareza e correção argumentos persuasivos, razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida ou contra a posição rival da defendida. | 12 |
| 2 | Apresenta inequivocamente a posição defendida. Evidencia um domínio satisfatório das competências argumentativas, elencando argumentos, ou razões ou exemplos. Apresenta com imprecisões argumentos persuasivos, ou razões ponderosas ou exemplos adequados e plausíveis a favor da posição defendida ou contra a posição rival da defendida. | 8 |
| 1 | Apresenta a posição defendida, ainda que de modo implícito. Evidencia uma intenção argumentativa, mas os argumentos ou as razões apresentados a favor da perspetiva defendida, ou contra a perspetiva rival da defendida, são fracos ou claramente falaciosos, ou os exemplos selecionados são inadequados. | 4 |
| C Adequação conceptual e teórica | 3 | Aplica rigorosa e coerentemente os conceitos relevantes para a discussão do problema do sentido da vida. Mobiliza (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema em causa, mostrando compreensão sistemática dessa(s) perspetiva(s). | 8 |
| 2 | Aplica com imprecisões pontuais, mas de modo globalmente adequado, os conceitos relevantes para a discussão do problema do sentido da vida. Mobiliza com imprecisões pontuais (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema em causa, mostrando compreensão dos aspetos centrais dessa(s) perspetiva(s). | 5 |
| 1 | Aplica escassamente e com imprecisões conceitos relevantes para a discussão do problema do sentido da vida. Mobiliza com imprecisões (uma) perspetiva(s) teórica(s) adequada(s) à discussão do problema em causa, mostrando uma compreensão rudimentar dessa(s) perspetiva(s). | 2 |
| D Comunicação | 3 | Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve com sintaxe, ortografia e pontuação globalmente corretas. | 4 |
| 2 | Apresenta um discurso razoavelmente estruturado. Escreve com sintaxe, ortografia e pontuação globalmente corretas. OU Apresenta um discurso estruturado e fluente. Escreve com incorreções sintáticas, ortográficas ou de pontuação que não afetam a inteligibilidade do discurso. | 3 |
| 1 | Apresenta um discurso pouco estruturado. Escreve com incorreções sintáticas, ortográficas ou de pontuação que afetam parcialmente a inteligibilidade do discurso. | 1 |