← Página Inicial

Política Externa de Portugal no Estado Novo: Estratégias e Desafios (1933-1974)

História B • 11º ano • Publicado em 02/06/2026

Introdução

Quando falamos do Estado Novo em Portugal, a primeira imagem que vem à mente é a política interna autoritária liderada por António de Oliveira Salazar. Contudo, a política externa desta ditadura é um aspeto crucial para compreender como Portugal se posicionou no contexto internacional entre 1933 e 1974.

Ao contrário do que muitos pensam, o regime procurou manter uma certa estabilidade nas suas relações internacionais, apesar das dificuldades provocadas pela conjuntura global, incluindo as duas guerras mundiais e a Guerra Fria. Vamos analisar como Portugal conduziu a sua diplomacia, os seus objetivos estratégicos e os principais desafios enfrentados.

O enquadramento internacional e os objetivos do regime

O Estado Novo surgiu em 1933, numa Europa marcada pela ascensão dos regimes autoritários e pelas tensões que conduziram à Segunda Guerra Mundial. Salazar tinha como prioridade consolidar o poder internamente, mas também garantir que Portugal mantivesse a sua soberania e integridade territorial, especialmente em relação às suas colónias.

Portugal tinha interesses vitais na África e na Ásia, pelo que a política externa visava preservar o império colonial, que era visto como um elemento central da identidade nacional e da economia. Em simultâneo, o regime procurava evitar o isolamento internacional, mantendo boas relações com as grandes potências, nomeadamente o Reino Unido, com quem tinha uma aliança histórica.

A diplomacia durante a Segunda Guerra Mundial

Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal adotou uma posição de neutralidade, muito bem calculada por Salazar. Esta neutralidade permitiu ao país evitar ser arrastado para o conflito, apesar da pressão exercida pelos Aliados e pelo Eixo.

Um exemplo claro desta diplomacia foi a base militar de Santa Maria, nos Açores, que Portugal cedeu aos Aliados em 1943. Esta decisão foi fundamental para o controlo do Atlântico durante a guerra e demonstrou a capacidade diplomática de Salazar em equilibrar os interesses internacionais sem comprometer a neutralidade formal.

Além disso, Portugal serviu como rota de escape para refugiados e para diplomatas durante o conflito, o que reforçou a sua posição como um país neutro e relativamente aberto num período difícil.

O período do pós-guerra e a Guerra Fria

Após 1945, o mundo entrou numa nova fase marcada pela bipolarização entre os Estados Unidos e a União Soviética. Portugal enfrentou um desafio: manter o regime autoritário enquanto se inseria num sistema internacional dominado por ideais democráticos e pelo anticomunismo.

Salazar aproveitou esta conjuntura para justificar a sua permanência no poder, apresentando-se como um aliado estratégico contra o avanço do comunismo. Em 1949, Portugal foi um dos membros fundadores da NATO, o que confirmou o seu alinhamento com o bloco ocidental.

Esta participação na NATO ajudou a legitimar o regime perante o Ocidente, apesar das críticas internas e internacionais relativas à falta de liberdades políticas e ao colonialismo.

Diplomacia colonial e a pressão internacional

Um dos maiores focos da política externa do Estado Novo foi a defesa do império colonial. Portugal recusou-se a descolonizar, ao contrário do que aconteceu com outras potências europeias, o que gerou tensões crescentes com a comunidade internacional, sobretudo a partir dos anos 60.

As guerras coloniais em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau colocaram Portugal em conflito direto com movimentos de independência e com países africanos recém-independentes, apoiados pela União Soviética e por países do Movimento dos Não-Alinhados.

O regime tentou estreitar laços com outros países africanos que mantinham regimes autoritários ou que tinham interesses semelhantes, mas a pressão das Nações Unidas e das potências ocidentais levou a um isolamento diplomático cada vez mais acentuado.

A diplomacia cultural e económica

Para além dos aspetos políticos e militares, o Estado Novo apostou também numa política externa cultural e económica. A propaganda do regime procurava transmitir uma imagem de estabilidade, ordem e desenvolvimento, apelando ao orgulho nacional e à continuidade histórica do império.

Economicamente, Portugal beneficiou de alguns investimentos estrangeiros e de acordos comerciais, mas a economia continuava pouco desenvolvida e dependente das exportações coloniais. A política externa procurava, assim, criar condições favoráveis para o crescimento económico, embora com resultados limitados.

Conclusão

Compreender a política externa de Portugal durante o Estado Novo é essencial para perceber como o regime se adaptou e reagiu aos desafios internacionais. Salazar conseguiu, durante décadas, manter um equilíbrio delicado entre a defesa dos interesses nacionais e as exigências do sistema internacional.

Esta estratégia diplomática teve custos elevados, nomeadamente o isolamento progressivo durante as últimas décadas do regime e os conflitos coloniais que contribuíram para a sua queda em 1974.

Para quem se prepara para o exame nacional de História B, é importante perceber que a política externa do Estado Novo não foi apenas uma extensão da política interna, mas um campo onde se travaram batalhas fundamentais para o futuro de Portugal.

Estudar os objetivos, as opções e as consequências desta política ajuda a compreender melhor a complexidade do regime e o contexto histórico do século XX em Portugal.

Artigos Relacionados

← Página Inicial
Nota editorial sobre conteúdos e utilização de IA


Ginásios da Educação Da Vinci

Os Ginásios da Educação Da Vinci é uma rede franchising de serviços de educação dirigidos, não só a jovens, mas também a adultos. Para além de explicações e apoio escolar, a marca oferece uma vasta gama de outros serviços de caracter educativo e pedagógico, dirigido a todas as idades.

     

Contactos - Master

+351 289 108 105
ginasios@davinci.com.pt
www.ginasiosdavinci.com
Master Office: Largo do Carmo nº51, Faro



Contactos - Unidades
Franchising
Recrutamento
Termos de Privacidade

As unidades franchisadas dos Ginásios da Educação Da Vinci são jurídica e financeiramente independentes.
Livro de Reclamações | Centros de Arbitragem de Conflitos de Consumo